Em Plena Crise, O que Fazer? 3 Técnicas de DBT (TIPP, ACCEPTS e IMPROVE) Para Atravessar o Pior Momento!

Quando uma crise emocional acontece, é comum sentir que perdeu o controle e que qualquer decisão tomada naquele momento pode piorar ainda mais a situação. A boa notícia é que você não precisa simplesmente esperar a intensidade passar.

A Terapia Comportamental Dialética (DBT) reúne habilidades baseadas em evidências que ajudam a atravessar os momentos mais difíceis com mais segurança e equilíbrio. Neste artigo, você vai conhecer três das principais técnicas de tolerância ao mal-estar — TIPP, ACCEPTS e IMPROVE —, entender quando usar cada uma e como elas podem ajudar a reduzir a intensidade da crise sem agir por impulso.

Em uma crise emocional, o objetivo não é resolver o problema

Quando estamos em sofrimento intenso, é natural querer fazer qualquer coisa para que aquela sensação desapareça. O problema é que, nesse estado, nosso cérebro tende a funcionar no “piloto automático emocional”, favorecendo decisões impulsivas que podem gerar ainda mais sofrimento depois.

É justamente por isso que a DBT (Terapia Comportamental Dialética), desenvolvida pela psicóloga Marsha Linehan, ensina um conjunto de habilidades chamado Tolerância ao Mal-Estar. O objetivo não é eliminar a dor ou resolver imediatamente a situação, mas ajudar você a atravessar a crise sem piorá-la.

Essas habilidades funcionam como um “kit de primeiros socorros emocionais”: são estratégias para usar enquanto a intensidade emocional está muito alta, até que você consiga recuperar clareza para lidar com o problema de forma mais efetiva.

É importante lembrar que elas não substituem o tratamento psicológico, mas podem fazer uma grande diferença nos momentos em que parece impossível pensar com calma.

Psicóloga Especialista em Terapia Comportamental Dialética (DBT)

Você não precisa enfrentar emoções intensas sozinho(a). A DBT ajuda a desenvolver habilidades para regular as emoções, melhorar os relacionamentos e construir uma vida com mais equilíbrio.

Psicóloga Yasmim Carvalho.

1. TIPP: acalme seu corpo antes de tentar acalmar a mente

Quando a emoção chega a níveis muito altos, tentar “pensar positivo” normalmente não funciona. Isso acontece porque seu organismo entrou em estado de alerta, ativando o sistema nervoso simpático — o famoso modo de luta, fuga ou congelamento.

A habilidade TIPP atua justamente na fisiologia. Em vez de começar pelos pensamentos, ela ajuda o corpo a sair desse estado de ativação intensa.

Ela reúne quatro estratégias:

  • T (Temperature) – Temperatura
  • I (Intense Exercise) – Exercício intenso
  • P (Paced Breathing) – Respiração lenta e controlada
  • P (Progressive Muscle Relaxation) – Relaxamento muscular progressivo

Temperatura

Colocar água fria no rosto ou segurar gelo pode ativar o chamado reflexo de mergulho, uma resposta natural do organismo que aumenta a atividade do nervo vago e reduz a frequência cardíaca, favorecendo uma sensação de calma em poucos segundos.

Atenção: essa técnica não é indicada para pessoas com doenças cardíacas, arritmias ou hipertensão. Nesses casos, prefira as outras estratégias do TIPP.

Exercício intenso

Alguns minutos de atividade física vigorosa — como subir escadas rapidamente, fazer polichinelos ou correr no lugar — ajudam o organismo a consumir a adrenalina liberada durante a crise e diminuem a ativação fisiológica.

Respiração pausada

Respirar lentamente, especialmente fazendo a expiração durar mais do que a inspiração, estimula o sistema nervoso parassimpático, responsável pelo estado de relaxamento.

Uma forma simples é inspirar por 4 segundos e expirar por 6 segundos durante alguns minutos.

Relaxamento muscular progressivo

Consiste em tensionar e relaxar grupos musculares de forma consciente. Isso reduz a tensão física acumulada e envia ao cérebro sinais de que o perigo passou.

2. ACCEPTS: quando você precisa apenas sobreviver à onda emocional

Há momentos em que a emoção está tão intensa que simplesmente não é possível refletir ou resolver o problema naquele instante.

Nesses casos, a habilidade ACCEPTS propõe uma distração intencional e temporária. O objetivo não é fugir da realidade, mas impedir que a intensidade emocional leve a comportamentos impulsivos dos quais você poderá se arrepender depois.

Ela inclui sete estratégias:

  • A — Activities (Atividades): faça algo que ocupe sua atenção.
  • C — Contributing (Contribuir): ajude alguém ou realize um pequeno gesto de gentileza.
  • C — Comparisons (Comparações): lembre-se de outras situações difíceis que conseguiu superar ou coloque o momento atual em perspectiva, sem invalidar sua dor.
  • E — Emotions (Emoções opostas): desperte uma emoção diferente, como assistir algo engraçado ou ouvir uma música que desperte outro estado emocional.
  • P — Push Away (Afastar): coloque o problema “em pausa” por um tempo determinado, prometendo voltar a ele quando estiver mais calmo.
  • T — Thoughts (Pensamentos): ocupe a mente com tarefas cognitivas, como fazer contas mentalmente ou contar de trás para frente.
  • S — Sensations (Sensações): utilize estímulos sensoriais seguros, como segurar gelo, sentir um aroma agradável ou ouvir uma música marcante.

A palavra-chave aqui é temporariamente. Depois que a intensidade diminuir, o problema continua merecendo atenção — mas agora com muito mais recursos emocionais para lidar com ele.

3. IMPROVE: quando você não consegue mudar a situação, mas pode melhorar o momento

Nem toda crise pode ser resolvida imediatamente. Algumas situações simplesmente precisam ser atravessadas.

É nesse contexto que entra a habilidade IMPROVE, voltada para mudar a forma como você vivencia aquele momento.

Ela inclui:

  • Imagery (Imagens): visualize um lugar seguro ou uma situação de tranquilidade.
  • Meaning (Significado): procure refletir sobre o que essa experiência pode ensinar ou representar.
  • Prayer (Prece): conecte-se com algo maior que você — seja por meio da espiritualidade, de um mantra ou de uma frase significativa.
  • Relaxation (Relaxamento): pratique exercícios que reduzam a tensão corporal.
  • One thing in the moment (Um momento de cada vez): concentre-se apenas no próximo passo, em vez de tentar resolver toda a situação de uma vez.
  • Vacation (Pausa): faça uma pausa breve e consciente da situação, mesmo que seja apenas por alguns minutos.
  • Encouragement (Autoencorajamento): fale consigo mesmo da mesma forma que falaria com alguém que você ama.

Essas técnicas resolvem a crise?

Não. E essa é justamente uma das maiores forças da DBT: ela não promete eliminar a dor imediatamente.

As habilidades de TIPP, ACCEPTS e IMPROVE são estratégias de curtíssimo prazo para reduzir a intensidade emocional, evitar comportamentos impulsivos e criar espaço para decisões mais conscientes.

Depois que a crise passa, é possível trabalhar aquilo que gerou o sofrimento utilizando outras habilidades da DBT, da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) ou de um acompanhamento psicológico.

Quando procurar ajuda profissional?

Se as crises emocionais são frequentes, muito intensas ou fazem você sentir que perdeu o controle sobre seus comportamentos, vale buscar avaliação com um psicólogo.

Essas habilidades são extremamente úteis, mas fazem parte de um tratamento mais amplo. Aprendê-las com acompanhamento profissional costuma facilitar a prática e aumentar sua eficácia ao longo do tempo.

Você não precisa enfrentar tudo isso sozinho. Com as ferramentas certas e um tratamento baseado em evidências, é possível desenvolver mais equilíbrio emocional e atravessar momentos difíceis com muito mais segurança.

Psicóloga Especialista em Terapia Comportamental Dialética (DBT)

Você não precisa enfrentar emoções intensas sozinho(a). A DBT ajuda a desenvolver habilidades para regular as emoções, melhorar os relacionamentos e construir uma vida com mais equilíbrio.

Psicóloga Yasmim Carvalho.

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